Caduceu |
O símbolo da medicina
Nos
emblemas institucionais, o signo gráfico, enquanto objeto cultural, refere-se
à história que o originou e ao espírito que o deve reger. Vale-se da figuração
material para remeter ao imaterial, através de representações do mundo
externo e interno. Evocam origens, anseios realizações.
O
Caduceu* de Mercúrio é o símbolo da Medicina, aparentemente singelo e
simples, que apresenta duas serpentes entrelaçadas em torno de um cedro de topo
alado, mitologicamente seguro por Mercúrio, mensageiro dos deuses do Olimpo.
Para os grandes mestres e estudiosos dos profundos mistérios dos bastidores do
conhecimento universal, ele sintetiza a própria essência da vida e os aspectos
mais importantes do equilíbrio humano e das forças cósmicas ligadas à saúde,
à ascensão da consciência e à iluminação. Significa o processo, sistema ou
mecanismo-canal que liberta e, conseqüentemente, eleva a condição humana à
condição que identifica o ser com o Criador.
Na
mitologia grega, é empunhado por Asclépio (Esculápio**, para os romanos),
deus da Medicina, mas difere do caduceu de Mercúrio egípcio, representado por
um bastonete semelhante à clava e com uma única serpente enroscada em torno.
É
interessante observar que a serpente é um animal mitológico muito utilizado
para simbolizar a Medicina. Talvez essa tradição se fundamente na idéia de
que ela, assim como a do Jardim do Éden, conhece mais coisas do que
aquilo que trivialmente se sabe, uma vez que domina também o outro lado do bem,
que é o mal. Por isso, simboliza a sabedoria.
No
âmbito da ciência médica, a serpente é respeitada como imagem da sabedoria,
pois tanto pode ser remédio como veneno, com poder de curar ou matar. No
caduceu, as duas serpentes induzem a polaridade cósmica que há em tudo.
*Caduceu
Vara mágica que Apolo deu a Mercúrio em tora da lira de sete cordas que
este havia inventado. O caduceu figura entre os atributos de Mercúrio e,
originalmente, era constituído por duas hastes que se entrelaçavam, no alto,
em torno de uma terceira. Depois as hastes laterais passaram a ser duas
serpentes.
**
Esculápio Filho de Apolo e Corônis. Segundo uma versão, foi
arrancado por Apolo do ventre de Corônis, morta por Júpiter ou por Diana.
Apolo confiou Esculápio ao centauro Quirão, que lhe ensinou a Medicina. O
jovem tornou-se tão hábil nessa ciência que descobriu o meio de ressuscitar
os mortos. Júpiter, temendo que essas ressurreições alterassem a ordem do
mundo, fulminou Esculápio com raios forjados pelos Ciclopes.
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